GOLPE VIRTUAL
Deepfake quase faz família perder R$ 5 mil
Criminosos usaram imagem, voz e informações pessoais da filha para simular acidente e pedir Pix urgente.
Publicado em 30/06/2026 às 09:14
Uma família de Umuarama viveu momentos de desespero no último domingo (28) após cair em um sofisticado golpe envolvendo inteligência artificial. Criminosos utilizaram imagem, voz e informações pessoais de uma jovem para simular um pedido de socorro e quase conseguiram arrancar R$ 5 mil da família.
Tudo começou quando a mãe recebeu uma videochamada aparentemente feita pela própria filha, que trabalha como técnica em enfermagem. Na ligação, a jovem dizia ter sofrido um acidente e afirmava precisar de dinheiro com urgência.
O cenário parecia real demais para gerar desconfiança. A mulher via o rosto da filha na tela, usando o uniforme do hospital onde trabalha. A voz, os gestos e até a forma de falar eram extremamente convincentes. Em choque, o pai da jovem já fazia uma transferência via Pix quando a situação tomou um rumo inesperado: a verdadeira filha entrou em casa.
A jovem havia retornado durante o intervalo do trabalho para buscar o celular, que havia esquecido em casa. Segundo ela, pelas normas da instituição onde atua, o aparelho permanece guardado durante o expediente.
“Quando cheguei, meus pais estavam desesperados. Meu pai já estava fazendo o Pix. Na hora que entrei, o bandido desligou a ligação e bloqueou minha mãe”, relatou.
A família decidiu compartilhar o caso como forma de alerta. Mesmo percebendo que o número da ligação era diferente, a mãe afirma que não teve dúvidas de que falava com a filha.
“Ela sabia tudo sobre nós. Era a voz dela, o rosto dela, o uniforme dela. Parecia real em todos os detalhes”, contou.
O caso escancara uma nova realidade dos crimes digitais: o uso de deepfakes, tecnologia capaz de reproduzir rostos, vozes e expressões com ajuda de inteligência artificial. Especialistas em segurança digital alertam que criminosos utilizam essas ferramentas para criar situações emocionais extremas, reduzindo a capacidade de reação das vítimas.
Outro ponto que preocupa é a quantidade de informações pessoais disponíveis nas redes sociais. Fotos, vídeos, locais frequentados, familiares, rotina e ambiente de trabalho acabam servindo como “matéria-prima” para golpes cada vez mais sofisticados.
Após o susto, a família afirma ter mudado completamente os hábitos digitais.
“Hoje pensamos diferente sobre o que postamos. Os criminosos conseguem montar uma história muito convincente usando nossas próprias informações”, disse a mãe.
Especialistas orientam algumas medidas simples para evitar esse tipo de golpe, como criar palavras-chave familiares para emergências, desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro e sempre confirmar a situação por outro meio de contato antes de realizar qualquer transferência.
O caso terminou sem prejuízo financeiro, mas deixou um alerta importante: na era da inteligência artificial, nem mesmo ver um rosto conhecido em uma videochamada garante que a situação seja real.
Fonte: Portal da Cidade Cruzeiro do Oeste
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