O Tribunal do Júri de Umuarama inicia nesta quarta-feira (11) o julgamento de um ex-policial penal denunciado pelo Ministério Público pela morte de uma mulher de 28 anos. A expectativa é que as sessões se estendam até sexta-feira (13), devido à complexidade do caso e ao volume de provas e depoimentos.
Segundo a acusação, a vítima foi morta após ser atingida por 55 facadas dentro de uma residência localizada na Avenida Olinda, em Umuarama, no dia 28 de outubro de 2022. O número de golpes foi confirmado por exame pericial realizado após a morte.
Na data do crime, a Polícia Militar foi acionada pelo próprio investigado. Aos policiais, ele afirmou que tanto ele quanto a mulher haviam se ferido e relatou que havia deixado a vítima em um dos quartos da casa, alegando que ela estaria em surto.
O suspeito acabou detido ainda naquele dia. Posteriormente, a Justiça determinou que ele permanecesse preso durante o andamento do processo.
Na época do ocorrido, o homem integrava o quadro de policiais penais e estava vinculado à Penitenciária de Cruzeiro do Oeste, embora estivesse afastado das funções. Após a abertura de procedimentos internos, o Departamento de Polícia Penal informou que ele foi desligado da instituição.
Como funciona o Tribunal do Júri
Crimes de homicídio no Brasil são julgados pelo Tribunal do Júri. Nesse tipo de julgamento, sete jurados escolhidos entre cidadãos da comunidade analisam as provas e escutam os argumentos apresentados pela acusação e pela defesa.
Após o encerramento dos debates, os jurados se reúnem em votação reservada para decidir se o réu deve ser condenado ou absolvido.
Versão apresentada durante a investigação
Durante a investigação, o investigado afirmou que a mulher havia ido até sua casa na noite anterior ao crime porque não conseguiu embarcar no ônibus de volta para Altônia, cidade onde morava. Segundo ele, a jovem estava em Umuarama para realizar tratamento médico.
Ainda conforme o relato apresentado, durante a madrugada os dois teriam acordado após ouvir barulhos vindos da área externa da residência, acompanhados pelos latidos do cachorro. Em seguida, teria ocorrido uma discussão.
Ele declarou que a mulher teria tentado atacá-lo com uma garrafa de bebida e uma faca, e que reagiu utilizando a arma branca.
Agora, quase quatro anos após o crime, o caso será analisado pelos jurados do Tribunal do Júri, que decidirão o desfecho judicial do processo.