O avanço do comércio ilegal de canetas emagrecedoras tem acendido um alerta entre profissionais de saúde e autoridades sanitárias na região de Umuarama. Operações recentes resultaram na apreensão de centenas de unidades transportadas clandestinamente, sem controle de qualidade, armazenamento adequado ou garantia da composição dos medicamentos.
Segundo o médico gastroenterologista e cirurgião bariátrico Fábio Augusto de Carvalho, os riscos vão muito além da ineficácia do produto. Há registros crescentes de reações adversas graves associadas ao uso de medicamentos falsificados ou contrabandeados.
De acordo com o especialista, produtos clandestinos podem não conter o princípio ativo correto, apresentar dosagens erradas ou até estarem contaminados. Outro fator preocupante é o transporte inadequado. Como são medicamentos termolábeis — sensíveis à temperatura — a quebra da cadeia de refrigeração pode transformar a substância em um risco real à saúde.
Mesmo quando adquiridas de forma regular, as canetas emagrecedoras exigem prescrição e acompanhamento médico. Náuseas, vômitos, diarreia, desidratação e hipoglicemia estão entre os efeitos mais comuns. Em situações raras, podem ocorrer complicações graves, como pancreatite, que demandam intervenção médica imediata.
O uso sem supervisão também pode mascarar doenças pré-existentes, provocar dosagens inadequadas e gerar falsa sensação de segurança. “Não existe medicamento milagroso. Existe tratamento sério, individualizado e responsável”, reforça o médico.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária tem reiterado que medicamentos dessa classe só devem ser adquiridos em farmácias autorizadas, mediante receita médica e acompanhamento contínuo.
Em um cenário marcado pela pressão estética e pela promessa de resultados rápidos nas redes sociais, especialistas reforçam que o tratamento da obesidade e das doenças metabólicas exige abordagem multidisciplinar, avaliação clínica e responsabilidade profissional.
A mensagem é direta: quando se trata de saúde, atalhos podem custar caro.