OPERAÇÃO AURORA
Operação investiga tortura contra dezenas de internas em clínica no Paraná
MPPR apura denúncias de tortura, cárcere privado e sequestro contra cerca de 72 mulheres internadas em estabelecimento de Terra Roxa.
Publicado em 16/09/2026 às 09:20
O Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrou, nesta terça-feira (15), a Operação Aurora, que investiga a suposta prática de crimes de tortura, sequestro e cárcere privado contra mulheres internadas em uma clínica terapêutica de Terra Roxa, no Oeste do Paraná.
A ação contou com apoio do Núcleo Regional de Umuarama do Gaeco e do Centro de Apoio Técnico à Execução (Caex).
Entre as medidas determinadas pela Justiça está a prisão temporária, pelo prazo de 30 dias, do gestor e proprietário da clínica. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, pessoal e domiciliar, em cinco endereços, incluindo a sede do estabelecimento, residências de investigados, uma propriedade rural e veículos.
Durante as diligências, um homem foi preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo e munições.
Denúncias envolvem dezenas de mulheres
Segundo o MPPR, a clínica mantinha aproximadamente 72 internas, entre elas pessoas com deficiência. As investigações apontam que muitas delas seriam mantidas no local contra a própria vontade e impedidas de sair.
Os investigadores apuram ainda a existência de um suposto regime disciplinar baseado em castigos, restrição de visitas familiares e trabalho compulsório.
Outro ponto investigado é o possível uso forçado de medicamentos sedativos, que, conforme os relatos preliminares apresentados ao Ministério Público, seriam chamados de “Danone” dentro da clínica e utilizados para provocar a inconsciência das internas.
Também há relatos de omissão de atendimento médico e de ameaças para que as mulheres permanecessem em silêncio durante inspeções realizadas por órgãos de fiscalização.
Investigação continua
A Justiça autorizou ainda o acesso e a extração de dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação.
Celulares, computadores, documentos e demais materiais recolhidos serão analisados pelo Ministério Público. O objetivo é reunir elementos que possam esclarecer os fatos e verificar a eventual responsabilidade criminal de outras pessoas.
As informações divulgadas até o momento fazem parte de uma investigação em andamento, e os fatos ainda serão apurados pelas autoridades competentes.
Fonte: Portal da Cidade Cruzeiro do Oeste
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