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Reflexões de Elena!

Em crônica comovente, Elena revela a doçura de um dia no cemitério

No editorial “Reflexões de Elena”, autora resgata memória afetiva de infância, onde oração, união e melancia tornavam a morte menos temida.

Publicado em 08/06/2025 às 12:38
Atualizado em

Em Boston, Elena relembra com emoção os dias de Finados com sua família no interior do Paraná: fé, fruta e afeto no emborná do pai. (Foto: Arquivo Pessoal)

Boston, EUA — Na nova crônica do editorial Reflexões de Elena, a escritora Elena Olga de Moura Rodrigues transporta o leitor para um dia de Finados com gosto de infância, fé e descoberta. Intitulada Tem Mistério no Emborná, a narrativa convida a enxergar o cemitério não como símbolo de dor, mas como palco de encontros, lições e até... laranjas e melancia.

Elena Olga de Moura Rodrigues/ Bacharel em Literatuta/ Boston, EUA

Reflexões de Elena

Eis a Origem da Minha Fé!

Elena Olga de Moura Rodrigues/ Bacharel em Literatuta/ Boston, EUA


Tem mistério no Emborná


Você já foi feliz no Cemitério?

Eu já!


No dia 2 de novembro todos da minha Família, tínhamos que ir pra lá...

Vovó saía na Frente! Como sempre a liderar...


Papai saía depressa que era para a acompanhar: Mamãe gritava com Força... Arcide! O Emborná, não esqueça de levá...


E eu me perguntava: que será que o Papai leva dentro daquele Emborná?

Nóis caminhava juntinho pra ninguém se separá
E Vovó me perguntava...
Tá cansada minha Filha?
Vovó pode te carregá!
Eu pensava comigo
Vovó que sim sabe adivinhá.
Erguia os meus bracinhos pra Vovó me levantá, e o rosto da Vovó com as minhas mãozinhas
Eu Acariciava, Beijava na sua boquinha dizendo...
Eu te amo! Vovó.
E Vovó me respondia:
Também te amo minha Filha!
Para sempre eu vou te amar.

Quando nóis chegava de Frente
para o Santo Cruzeiro!
Nóis tinha que ajoelhá...
Vovó dizia que o Lugar dos mortos nóis tinha que respeitá, e fazer muita oração para as almas se salvá...
E todos nóis reunidos O Terço ia rezá...
Eu sei que Vovó encurtava, o terço para eu não me cansá...

Vovó dizia: Jesus Morreu e Ressuscitô! Para Salvá Vivos e Mortos!

Eu sempre me perguntava...
Que será que o Papai leva lá dentro daquele Emborná?

Nóis rezava tanto! Tanto!
Tantos Túmulos pra nóis passá!

De repente! Eu Vi que o Papai se afastava aquele Bendito Emborná nas costas levava...
Mais por que Papai saía, se nóis andô tão juntinho
Pra nóis não se separá?

Por fim!
A Reza acabô Vovó no Colo me levantô e já me ia levá
Para eu não me cansá.
Eu ia dizendo: Te Amo Vovó!
E Vovó me respondia:
Te amo também minha Filha!
Para sempre eu vou te amar.

Chegando lá na Saída,
Papai estava a esperá...
Todos juntos para um Lugar no Pasto.
Nóis ia se sentá...

E por alguns minutos eu já começava a gostá... Agora eu vou saber o que o Papai guarda dentro do Emborná:

E virava Felicidade
em um só segundo...

Papai trazia nas Costas todas as coisas do mundo!
Tinha laranjas, uma faca, uma toalha e um lençol...

Com a Faca Papai cascava laranjas e ia passando para cada um dos filhos: Eu estava com a Vovó debaixo de uma sombrinha
Me escondia do Sol...
Mamãe era a que Dava laranjas pra nóis chupá...
Também chupava Vovó e a mamãe,
Vovó sempre estava com a gente
Sem Ela sentíamos Sós.

De repente chegava um homem coisa boa Ele trazia!
É que o Papai tinha pedido que nos cortasse melancia.
Então eu pensava comigo:

Valeu a pena rezar tanto!
Que momento que alegria...
Eu ter do meu lado à minha real família!
E tudo isso eu pensava enquanto eu saboreava deliciosa melancia... E depois de tão cansada, no colo da Vovó eu dormia...
Por ter rezado Tanto! Tanto!
Tanto num só dia; eu já: não acordaria... Às vezes na minha mente de criança... Pensava que havia eu sonhado, quando o Dia Amanhecia.

Flor cultivada no jardim de Elena em Bonton (EUA) simboliza para ela a PAZ!

Alcides, pai de Elena

Vovô Alcides com os filhos gêmeos de Elena, Victoria Elena e Eduardo Augusto, em junho de 2002

Elena juntamente com sua Mãe, Adélia

 Vovó Adélia, com os gêmeos Victoria Elena e Eduardo Augusto

Elena comemorando com seus filhos

Luis Eduardo, com seus filhos Victoria Elena e Eduardo Augusto

Luis Eduardo e seu terceiro filho com Elena, Abraham Enrique

Elena abraçada com seu filho primogênito Eduardo Augusto

Os gêmeos e sua "Naná"

Elena e os gêmeos

O caçula de Elena, Abrahan Enrique

Elena e seu Filho Abraham de volta pra Igreja Católica Apostólica Romana.


Para finalizar, Elena declara: "Pouco a pouco com Amor pela Infância eu vou contando a minha História de Amor em Cruzeiro do Oeste. Estou há 25 anos longe... Mas meu coração nunca se afastou daí."




E ainda agradece à Sebastiana, sua Avó: " Serei eternamente Agradecida por ter levado meus Filhos para que Meus Pais e Minha Avó os abençoasse.


Bandeira do Brasil na casa de Elena, em Boston (EUA)


Por fim, Elena reforça seu amor por Cruzeiro do Oeste, cidade onde viveu sua infância e onde pretende investir energia e recursos para continuar a obra de sua tão amada Avó. 



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